Dra. Tatiana Almendra Dutra – Psicanalista
Paula Fernandes Moreira – Psicanalista
Neste mês de março, dedicado ao Dia da Mulher, torna-se necessária uma reflexão sobre o machismo estrutural presente na teia cultural e os impactos que ele produz em nossas vidas.
Os conceitos de Isildinha Baptista Nogueira nos ajudam a pensar sobre essa temática. Isildinha Baptista Nogueira, uma grande mulher e psicanalista, foi indicada ao Prêmio Jabuti na categoria Ciências em 2022, um ano após a publicação de seu livro baseado em sua tese de doutorado, intitulado “A cor do inconsciente: significações do corpo negro.”
Ela nos diz que temos uma série de preconceitos, inconscientes e muitas vezes negados, que estão impregnados na teia social e atravessam todos nós, cada um de uma forma diferente, tais como o machismo, o racismo, a homofobia, entre outros. Eles produzem efeitos reais na sociedade e na subjetividade das pessoas.
Mas como mudar isso? Em primeiro lugar, perguntando-nos: Que machista eu sou? Que racista eu sou? Que homofóbico eu sou? Qual é o meu lugar de privilégio e que responsabilidade eu tenho nisso?
Sim, a única forma de mudar, de desinstitucionalizar o que está institucionalizado — sobretudo no que diz respeito ao privilégio do homem branco, cis e heterossexual — é reconhecer e compreender como essas estruturas nos atravessam enquanto indivíduos e quais ações estamos dispostos a realizar efetivamente para transformar essa realidade.”
Nós, enquanto psicanalistas, temos uma responsabilidade ainda maior em relação a essa questão. Como permanecer isentos de reproduzir esses preconceitos sem trabalhá-los em nós mesmos? Muitas vezes os reproduzimos sem sequer perceber. Por isso, é importante que nos perguntemos: como isso impacta o psicanalista que eu sou? E como isso atravessa minha escuta, minhas pontuações e minhas interpretações?
Portanto, é essencial que o Dia da Mulher seja também um convite à reflexão sobre o machismo estrutural e sobre o compromisso de transformar as desigualdades que ainda atravessam nossas vidas.



