Por: Kátia Moura – São Paulo, SP – 20/04/2026.
No dia 18 de maio celebramos o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Luta essa que surge como um movimento dos trabalhadores da saúde mental, em 1987, por um tratamento humanitário e sem manicômios. Até então, o tratamento asilar, invasivo e violento era o destino certo para portadores de transtornos mentais ou pessoas que não se enquadravam nos ditames morais e comportamentais, portanto, consideradas “inadequadas” pela sociedade.
Nesse contexto e estimulada por esse cenário, surge a Reforma Psiquiátrica Brasileira, que ganha força na década de 80 e se firma nos anos 2000 com a criação dos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), objetivando, principalmente, promover a desinstitucionalização e a ressocialização das pessoas com transtornos mentais, que passam, a partir de então, a ser assistidas por equipes multiprofissionais e tratadas com dignidade.
No entanto, na década de 40, já havia uma voz que se levantava contra medidas como eletrochoque, choque insulínico e lobotomia, praticadas pelos psiquiatras da época para lidar com os pacientes. A voz era da psiquiatra Nise da Silveira, mulher nordestina, presa pela ditadura por suas ideias inovadoras e que foi vista como rebelde por seus pares, ao se colocar contra a prática psiquiátrica da época e implementar um tratamento humanizado.
Nise se tornou exemplo e marco da luta antimanicomial, muito antes da ideia surgir como movimento, fundando a Seção de Terapêutica Ocupacional e Reabilitação (Stor) no Hospital D. Pedro II, no Rio de Janeiro, em 1946. Desde então, a vida da médica foi dedicada a fazer com que os pacientes, a quem ela carinhosamente chamava de clientes, se integrassem e recuperassem a dignidade humana através das artes, da terapêutica com animais, dos trabalhos manuais e da desinstitucionalização. Para ela, o foco do tratamento era o indivíduo e não seu transtorno.
Neste dia, é importante celebrarmos os avanços alcançados na área da saúde mental devido à luta antimanicomial, mas não esqueçamos de figuras visionárias como Nise, que nos estimulam a enxergar e tratar o humano, ao invés de focar na doença.



