Luta Antimanicomial: Nise da Silveira e a voz rebelde que antecipou a Reforma Psiquiátrica.

Luta antimanicomial

Por: Kátia Moura – São Paulo, SP – 18/05/2026.

No dia 18 de maio celebramos o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Luta essa que surge como um movimento dos trabalhadores da saúde mental, em 1987, por um tratamento humanitário e sem manicômios. Até então, o tratamento asilar, invasivo e violento era o destino certo para portadores de transtornos mentais ou pessoas que não se enquadravam nos ditames morais e comportamentais, portanto, consideradas “inadequadas” pela sociedade.
Nesse contexto e estimulada por esse cenário, surge a Reforma Psiquiátrica Brasileira, que ganha força na década de 80 e se firma nos anos 2000 com a criação dos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), objetivando, principalmente, promover a desinstitucionalização e a ressocialização das pessoas com transtornos mentais, que passam, a partir de então, a ser assistidas por equipes multiprofissionais e tratadas com dignidade.

No entanto, na década de 40, já havia uma voz que se levantava contra medidas como eletrochoque, choque insulínico e lobotomia, praticadas pelos psiquiatras da época para lidar com os pacientes. A voz era da psiquiatra Nise da Silveira, mulher nordestina, presa pela ditadura por suas ideias inovadoras e que foi vista como rebelde por seus pares, ao se colocar contra a prática psiquiátrica da época e implementar um tratamento humanizado.

Nise se tornou exemplo e marco da luta antimanicomial, muito antes da ideia surgir como movimento, fundando a Seção de Terapêutica Ocupacional e Reabilitação (Stor) no Hospital D. Pedro II, no Rio de Janeiro, em 1946. Desde então, a vida da médica foi dedicada a fazer com que os pacientes, a quem ela carinhosamente chamava de clientes, se integrassem e recuperassem a dignidade humana através das artes, da terapêutica com animais, dos trabalhos manuais e da desinstitucionalização. Para ela, o foco do tratamento era o indivíduo e não seu transtorno.

Neste dia, é importante celebrarmos os avanços alcançados na área da saúde mental devido à luta antimanicomial, mas não esqueçamos de figuras visionárias como Nise, que nos estimulam a enxergar e tratar o humano, ao invés de focar na doença.

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21 respostas

  1. Parabéns Kátia muito bom sua escrita merece meus parabéns muitas pessoas não sabem dessa história más seria bom que muitas pessoas tivessem essas informações.

  2. Parabéns Kátia sua escrita ficou maravilhosa, vc se espressou mto bem. Achei importante esse tipo de conteúdo ,para muita gente ter conhecimento de cm era e cm é hoje.
    Vai ser uma escritora no futuro, e pq não né ?eu quero ser a primeira pessoa a ler seus livros,se Deus quiser.

  3. Katia, Que orgulho ver sua sensibilidade e inteligência retratadas em um tema tão necessário e humano. Seu artigo sobre Nise da Silveira mostra não apenas conhecimento, mas também empatia ao dar voz a uma história tão importante para a saúde mental no Brasil.
    A luta antimanicomial nos lembra diariamente que pessoas precisam de acolhimento, respeito e humanidade, e você conseguiu transmitir isso de forma forte e emocionante. Parabéns pela escrita, pela coragem de abordar esse tema e por manter viva a importância da Reforma Psiquiátrica. Tenho muito orgulho de você! 💙

    Voa garota… vamos por mais conteúdos como esse!

    1. Que palavras lindas!
      É muito importante saber que achou o tema relevante e gratificante saber que gostou da escrita!
      Obrigada pelo carinho e por comentar ❤️

  4. Kátia, texto excelente, importante ler e relembrar as batalhas enfrentadas nesse processo. Ler um artigo escrito por você, me deixa super orgulhosa🫶🏻

  5. Falar sobre a luta antimanicomial e sobre Nise da Silveira é manter viva a defesa do cuidado humanizado, da escuta e da dignidade humana.
    Parabéns pela escrita!

  6. Muito importante lembrar que saúde mental não deve ser tratada com exclusão, violência ou apagamento da subjetividade. A luta antimanicomial reforça justamente isso: pessoas com sofrimento psíquico precisam de cuidado digno, acolhimento e possibilidades reais de reinserção social. Nise da Silveira foi uma mulher muito à frente do seu tempo.

    O artigo foi muito bem construído, com uma escrita clara, informativa e sensível.

  7. Obrigada por comentar e por trazer sua visão sensível sobre como deve ser a escuta do sofrimento.

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