Fonte: Maria Emilia Genovese
Foto: Divulgação
por Paula Fernandes Moreira – Psicanalista
Dra. Tatiana Almendra Dutra – Psicanalista
Falar de Isildinha Baptista Nogueira é falar de uma escuta que atravessa histórias, silêncios e fronteiras.
Como alguém que ajuda a dar voz a histórias que por muito tempo ficaram silenciadas, ela construiu sua trajetória na psicanálise não apenas como profissão, mas como um gesto de coragem e transformação.
Sua presença abre espaço onde antes havia invisibilidade. No consultório, no ensino e na escrita, Isildinha trouxe para o centro da psicanálise algo que durante muito tempo foi ignorado.
Inspirada pela força de sua avó, Isildinha decidiu seguir o caminho da psicanálise em uma época em que esse sonho parecia distante para uma mulher negra.
Sua formação foi marcada pela busca constante por conhecimento. Esse percurso a levou também a Paris, onde participou dos Ateliers de Psychanalyse com a psicanalista Radmila Zygouris, ampliando ainda mais sua formação clínica e teórica.
Ao longo de sua trajetória, Isildinha nunca aceitou a teoria psicanalítica como algo fechado ou imutável. Pelo contrário, ela abriu espaço para novas perguntas.
Seu trabalho mostra que a experiência psíquica não está separada da realidade social. O racismo, por exemplo, não é apenas um fenômeno externo. Esse elemento influencia a formação da identidade do indivíduo, envolve aspectos de narcisismo e afeta a maneira como cada pessoa se enxerga no mundo.
Seu livro A Cor do Inconsciente: Significações do Corpo Negro, finalista do Prêmio Jabuti, mostra como o racismo pode se inscrever na vida psíquica.
Isildinha construiu uma carreira sólida na psicanálise e na universidade e seu trabalho também dialoga com outras áreas ampliando os caminhos da psicanálise. Sua trajetória mostra que a psicanálise também pode ser um espaço de transformação social.
Quando novas vozes entram na teoria e na clínica, novas experiências passam a ser escutadas. E é assim que a psicanálise se renova, abrindo espaço para histórias que, por muito tempo, ficaram à margem.
Neste mês da Mulher, lembrar de mulheres como Isildinha é reconhecer que o conhecimento também pode ser um gesto de coragem, escuta e liberdade.
